Fonte: Assessoria
A Petrobras Biocombustível anunciou, nesta sexta-feira (6/8), a assinatura de contrato de arrendamento de terra para implantação de viveiro de mudas de palma no município de Mocajuba (PA). O ato marca o início das atividades para a implantação da usina de produção biodiesel a partir de óleo de palma no Estado do Pará, anunciada em maio deste ano.
Com investimentos previstos de R$ 330 milhões, a nova usina terá capacidade de produzir 120 milhões de litros de biodiesel por ano para atender a região Norte. A previsão de início de operação é para julho de 2013. Além da unidade de produção de biodiesel, o projeto prevê a instalação de dois complexos industriais de extração do óleo de palma, incluindo esmagadoras e unidade de cogeração de energia elétrica.
A implantação do viveiro de mudas é o primeiro passo para o desenvolvimento da parte agrícola do projeto. A área de 300 hectares será destinada ao cultivo de 1,1 milhão de sementes. O plantio das mudas nas áreas de produção está previsto para dezembro de 2011 e o início da colheita a partir de 2014.
As mudas serão disponibilizadas aos parceiros da Petrobras Biocombustível no plantio de palma. Entre eles, cerca de 1.250 agricultores familiares da região chamada Pólo do Dendê, nos municípios de Igarapé-Miri, Cametá, Mocajuba e Baião. A empresa já realizou uma ação de cadastramento nesta região e fez a localização geográfica das propriedades de agricultores familiares, passo importante para o processo de regularização fundiária e obtenção do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
A estratégia de suprimento da unidade de biodiesel prevê o plantio de palma em áreas desmatadas. Com isso, o projeto trará benefícios ambientais, com a recuperação destas áreas, proporcionando proteção de solo, equilíbrio ecológico e a reintegração econômica destas regiões, além de contribuir para a redução de gases de efeito estufa no ciclo de produção do óleo vegetal e na produção de biodiesel.
Segundo o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, a empresa atuará com respeito ao meio ambiente e rentabilidade econômica, gerando trabalho e renda nestas regiões. “Estão previstos investimentos em projetos sociais nestas áreas no âmbito do programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Os projetos estão em fase de definição”.
O diretor de Suprimento Agrícola, Janio Rosa, informa que a empresa investirá também em tecnologia agrícola para uma atuação mais sustentável nas áreas de plantio de palma. “Estamos estudando a aplicação de um método, desenvolvido pela Embrapa, que evita a queimada e reduz em cerca de 80% a emissão de CO2 no preparo da terra comparado ao método tradicional”, comenta o diretor sobre o método que prepara o terreno por meio de corte e trituramento, que ainda contribui para fertilizar o solo a partir da decomposição dos resíduos vegetais.
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6 de ago. de 2010
Petrobras Biocombustível assina contrato para produção de mudas de palma
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23 de mai. de 2010
Petrobras vai produzir biodiesel em Portugal a partir do dendê Publicidade
UOL
A Petrobras irá produzir biocombustíveis em Portugal a partir do dendê cultivado no Brasil. A empresa assinou acordo com a Galp Energia na última quarta-feira.
De acordo com a estatal, o projeto prevê a instalação de uma unidade de produção na refinaria de Sines, em Portugal, com capacidade de produção de cerca de 260 mil toneladas de biodiesel (green-diesel) ao ano.
"A estratégia de suprimento da unidade de biodiesel em Portugal prevê a implantação de um pólo agro-industrial no Brasil para cultivo da palma (dendê), com produção de cerca de 300 mil toneladas/ano de óleo de palma no estado do Pará e investimentos estimados em US$ 290 milhões no Brasil", informa em comunicado.
Segundo a Petrobras, o investimento total estimado para o projeto é da ordem de US$ 530 milhões, a ser realizado em partes iguais pelas empresas.
A Petrobras irá produzir biocombustíveis em Portugal a partir do dendê cultivado no Brasil. A empresa assinou acordo com a Galp Energia na última quarta-feira.
De acordo com a estatal, o projeto prevê a instalação de uma unidade de produção na refinaria de Sines, em Portugal, com capacidade de produção de cerca de 260 mil toneladas de biodiesel (green-diesel) ao ano.
"A estratégia de suprimento da unidade de biodiesel em Portugal prevê a implantação de um pólo agro-industrial no Brasil para cultivo da palma (dendê), com produção de cerca de 300 mil toneladas/ano de óleo de palma no estado do Pará e investimentos estimados em US$ 290 milhões no Brasil", informa em comunicado.
Segundo a Petrobras, o investimento total estimado para o projeto é da ordem de US$ 530 milhões, a ser realizado em partes iguais pelas empresas.
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24 de mar. de 2010
Biocombustíveis são o caminho mais curto para reduzir as emissões de efeito estufa
Assessoria
Um aumento expressivo no uso de biocombustíveis veiculares é a forma mais rápida e eficaz de reduzir as emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Esta é a síntese da apresentação feita pelo físico José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, na abertura da Convenção Latino-Americana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), realizada em 23 de março na sede da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Goldemberg fundamentou sua afirmação, usando, como exemplo, a matriz de consumo energético dos Estados Unidos. Nesta, o setor de transportes responde por cerca de 28% da energia consumida, enquanto as edificações utilizam 39% e a indústria, 33%. Embora menor, a fatia correspondente aos transportes é a mais fácil de ser modificada, pois, ao contrário dos edifícios e processos industriais, os veículos têm vida curta. Daí a ênfase nos biocombustíveis veiculares como caminho para alcançar, no tempo mais curto possível, as metas de redução dos gases de efeito estufa.
A questão é especialmente relevante devido à arrancada desenvolvimentista dos países emergentes. Enquanto nos países desenvolvidos as emissões de CO2 estão praticamente estáveis, com uma taxa de crescimento anual de 0,08%, nos países emergentes as emissões estão crescendo mais de 4% ao ano. China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, lideram o processo, ambos em desenvolvimento acelerado e ambos maciçamente dependentes de combustíveis fósseis (carvão e petróleo).
Além dos aspectos ambientais, a transição para os biocombustíveis é fundamental diante do previsível esgotamento das reservas de petróleo. “A era do petróleo abundante e barato, baseado em reservas convencionais, já acabou”, disse o físico. O pico na produção ocorreu na década de 1990. A partir de então, os gráficos mostram um persistente declínio.
No processo de substituição da gasolina, duas opções complementares estão atualmente em pauta: a eletricidade e o etanol. Mas, destas, o etanol é, de longe, a alternativa mais promissora. “A tecnologia das baterias está ainda na infância. Levará muito tempo até que os automóveis elétricos venham a representar um segmento significativo da frota”, concluiu Goldemberg.
Substituir 25% dos combustíveis fósseis é a perspectiva do GSB
Quatro grandes apresentações, dos pesquisadores brasileiros José Goldemberg (USP) e Luiz Cortez (Unicamp) e dos norte-americanos Lee Lynd (Dartmouth College) e Nathanael Greene (Natural Resources Defense Council), abriram, na tarde de 23 de março, a Convenção Latino-Americana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), que se estenderá até o próximo dia 25 na sede da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, uma promoção da própria Fundação e da Academia Brasileira de Ciências.
A Convenção Latino-Americana é a terceira das cinco que o GBS programou para este ano. Outras duas já ocorreram, na Holanda e na África do Sul. E mais duas estão agendadas, para a Malásia e os Estados Unidos. O objetivo do GSB é compor um painel global sobre sustentabilidade energética, à semelhança dos já existentes sobre mudanças climáticas e biodiversidade.
A grande pergunta que o GSB se propõe responder, de forma consistente, é se podemos substituir 25% do petróleo utilizado no setor de transportes por biocombustíveis sem comprometer a produção de alimentos e os habitats naturais. Os biocombustíveis, renováveis e relativamente limpos, tornaram-se a principal alternativa diante da necessidade urgente de substituir os combustíveis fósseis para reduzir as emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Mas ainda pairam muitas dúvidas sobre essa opção.
A Convenção Latino-Americana foi aberta pelo diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, à frente de uma mesa na qual participaram André Corrêa do Lago (ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores), Ricardo Silva (secretário de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), Arnaldo Jardim (deputado federal), Gláucia Mendes de Souza (coordenadora do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia – BIOEN) e Lee Lynd (presidente do Global Sustainable Bioenergy Project – GSB).
Um aumento expressivo no uso de biocombustíveis veiculares é a forma mais rápida e eficaz de reduzir as emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Esta é a síntese da apresentação feita pelo físico José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, na abertura da Convenção Latino-Americana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), realizada em 23 de março na sede da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Goldemberg fundamentou sua afirmação, usando, como exemplo, a matriz de consumo energético dos Estados Unidos. Nesta, o setor de transportes responde por cerca de 28% da energia consumida, enquanto as edificações utilizam 39% e a indústria, 33%. Embora menor, a fatia correspondente aos transportes é a mais fácil de ser modificada, pois, ao contrário dos edifícios e processos industriais, os veículos têm vida curta. Daí a ênfase nos biocombustíveis veiculares como caminho para alcançar, no tempo mais curto possível, as metas de redução dos gases de efeito estufa.
A questão é especialmente relevante devido à arrancada desenvolvimentista dos países emergentes. Enquanto nos países desenvolvidos as emissões de CO2 estão praticamente estáveis, com uma taxa de crescimento anual de 0,08%, nos países emergentes as emissões estão crescendo mais de 4% ao ano. China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, lideram o processo, ambos em desenvolvimento acelerado e ambos maciçamente dependentes de combustíveis fósseis (carvão e petróleo).
Além dos aspectos ambientais, a transição para os biocombustíveis é fundamental diante do previsível esgotamento das reservas de petróleo. “A era do petróleo abundante e barato, baseado em reservas convencionais, já acabou”, disse o físico. O pico na produção ocorreu na década de 1990. A partir de então, os gráficos mostram um persistente declínio.
No processo de substituição da gasolina, duas opções complementares estão atualmente em pauta: a eletricidade e o etanol. Mas, destas, o etanol é, de longe, a alternativa mais promissora. “A tecnologia das baterias está ainda na infância. Levará muito tempo até que os automóveis elétricos venham a representar um segmento significativo da frota”, concluiu Goldemberg.
Substituir 25% dos combustíveis fósseis é a perspectiva do GSB
Quatro grandes apresentações, dos pesquisadores brasileiros José Goldemberg (USP) e Luiz Cortez (Unicamp) e dos norte-americanos Lee Lynd (Dartmouth College) e Nathanael Greene (Natural Resources Defense Council), abriram, na tarde de 23 de março, a Convenção Latino-Americana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), que se estenderá até o próximo dia 25 na sede da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, uma promoção da própria Fundação e da Academia Brasileira de Ciências.
A Convenção Latino-Americana é a terceira das cinco que o GBS programou para este ano. Outras duas já ocorreram, na Holanda e na África do Sul. E mais duas estão agendadas, para a Malásia e os Estados Unidos. O objetivo do GSB é compor um painel global sobre sustentabilidade energética, à semelhança dos já existentes sobre mudanças climáticas e biodiversidade.
A grande pergunta que o GSB se propõe responder, de forma consistente, é se podemos substituir 25% do petróleo utilizado no setor de transportes por biocombustíveis sem comprometer a produção de alimentos e os habitats naturais. Os biocombustíveis, renováveis e relativamente limpos, tornaram-se a principal alternativa diante da necessidade urgente de substituir os combustíveis fósseis para reduzir as emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Mas ainda pairam muitas dúvidas sobre essa opção.
A Convenção Latino-Americana foi aberta pelo diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, à frente de uma mesa na qual participaram André Corrêa do Lago (ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores), Ricardo Silva (secretário de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), Arnaldo Jardim (deputado federal), Gláucia Mendes de Souza (coordenadora do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia – BIOEN) e Lee Lynd (presidente do Global Sustainable Bioenergy Project – GSB).
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13 de mar. de 2010
Brasil descarta dilema entre produção de biocombustíveis e de alimentos
Da Agência France Press
A produção de biocombustíveis no Brasil "não compete" com a de alimentos, afirmou, em Paris, o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Allan Kardec Duailibe, que propôs à Europa "harmonizar internacionalmente" a qualidade dos combustíveis verdes.
"O governo brasileiro quer enfatizar que o dilema estabelecido para tratar a produção de etanol e a produção de alimentos é um falso dilema (...). A produção de biocombustíveis não compete com a produção de alimentos", reforçou o executivo, nesta quarta-feira, perante especialistas, empresários e jornalistas.
Os biocombustíveis foram valorizados inicialmente como forma de combater o aquecimento global, mas há alguns anos especialistas e organismos internacionais, como FAO, Banco Mundial, OCDE e FMI, têm alertado que a produção maciça de biomassa - cana-de-açúcar, colza, óleo de palma, girassol, milho ou beterraba açucareira - desinada à produção de etanol ou biodiesel pode provocar encarecer os alimentos.
Os biocombustíveis "reduzem o prejuízo ambiental no que se refere às emissões de CO2", assegurou Duailibe, nas vésperas da abertura, em Paris, de uma Conferência Internacional sobre o combate ao desmatamento.
Ele negou enfaticamente que a produção de cana-de-açúcar - utilizada no Brasil para produzir etanol, enquanto nos Estados Unidos se usa o milho - esteja afetando a selva amazônica.
"A Amazônia está a mais de 2.000 km das áreas produtoras" de etanol, disse Duailibe, enquanto destacava, no mapa do Brasil, a distância entre a reserva de biodiversidade do planeta e as áreas de produção de cana, concentradas sobretudo no sudeste do país.
"Não estamos destruindo a Amazônia", insistiu o diretor da ANP, organismo que também administra o gás natural e segundo o qual, para satisfazer a demanda de etanol em 2017, precisará de apenas 2,56% da superfície cultivável do Brasil.
Ele afirmou que o governo brasileiro enviou um projeto ao Congresso para estabelecer um marco regulatório para a produção, distribuição e a venda de etanol e biodiesel que, além disso, proíbe a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia e no Mato Grosso (centro-oeste).
O Brasil, que defende a produção de biocombustíveis em países pobres dependentes da importação de petróleo, é o segundo produtor mundial de etanol, depois dos Estados Unidos, e o primeiro exportador em escala global.
A União Europeia (UE) lidera a produção de biodiesel a partir de óleos vegetais.
O gigante sul-americano quer que o etanol deixe de ser considerado um simples produto agrícola e seja incluído em sua lista de bens ambientais, o que permitiria seu acesso livre ao mercado.
"O governo do Brasil se preocupa em eliminar as barreiras técnicas para reforçar o biodiesel e o etanol como 'commodities'. Não é uma oportunidade só para o Brasil, mas para todos", enfatizou Duailibi, que mencionou a ideia de se "negociar o etanol em uma bolsa de futuros".
A padronização internacional da qualidade dos biocombustíveis é outro objetivo do governo brasileiro, acrescentou.
"O Brasil propõe à Europa estabelecer conjuntamente pautas de harmonização dos biocombustíveis para obter um padrão de referência mínimo" para sua comercialização, explicou.
No âmbito do objetivo da UE de que as energias renováveis representem 20% da energia consumida pelos europeus em 2020, está previsto que os biocombustíveis representem 10% do consumo total de combustíveis.
"O Brasil trabalha para enfrentar a realidade da diversidade do mercado. Trabalhamos para estabelecer mecanismos regulatórios. Para que não falte nem uma coisa, nem outra: nem açúcar, nem etanol", resumiu Duailibe.
Datam do início do século passado os primeiros testes feitos no Brasil para promoção do álcool como combustível.
Empresas francesas e britânicas estão presentes no setor no Brasil, que se declara "extremamente aberto à transferência de tecnologia com a França e com outros países interessados nos biocombustíveis", concluiu.
A produção de biocombustíveis no Brasil "não compete" com a de alimentos, afirmou, em Paris, o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Allan Kardec Duailibe, que propôs à Europa "harmonizar internacionalmente" a qualidade dos combustíveis verdes.
"O governo brasileiro quer enfatizar que o dilema estabelecido para tratar a produção de etanol e a produção de alimentos é um falso dilema (...). A produção de biocombustíveis não compete com a produção de alimentos", reforçou o executivo, nesta quarta-feira, perante especialistas, empresários e jornalistas.
Os biocombustíveis foram valorizados inicialmente como forma de combater o aquecimento global, mas há alguns anos especialistas e organismos internacionais, como FAO, Banco Mundial, OCDE e FMI, têm alertado que a produção maciça de biomassa - cana-de-açúcar, colza, óleo de palma, girassol, milho ou beterraba açucareira - desinada à produção de etanol ou biodiesel pode provocar encarecer os alimentos.
Os biocombustíveis "reduzem o prejuízo ambiental no que se refere às emissões de CO2", assegurou Duailibe, nas vésperas da abertura, em Paris, de uma Conferência Internacional sobre o combate ao desmatamento.
Ele negou enfaticamente que a produção de cana-de-açúcar - utilizada no Brasil para produzir etanol, enquanto nos Estados Unidos se usa o milho - esteja afetando a selva amazônica.
"A Amazônia está a mais de 2.000 km das áreas produtoras" de etanol, disse Duailibe, enquanto destacava, no mapa do Brasil, a distância entre a reserva de biodiversidade do planeta e as áreas de produção de cana, concentradas sobretudo no sudeste do país.
"Não estamos destruindo a Amazônia", insistiu o diretor da ANP, organismo que também administra o gás natural e segundo o qual, para satisfazer a demanda de etanol em 2017, precisará de apenas 2,56% da superfície cultivável do Brasil.
Ele afirmou que o governo brasileiro enviou um projeto ao Congresso para estabelecer um marco regulatório para a produção, distribuição e a venda de etanol e biodiesel que, além disso, proíbe a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia e no Mato Grosso (centro-oeste).
O Brasil, que defende a produção de biocombustíveis em países pobres dependentes da importação de petróleo, é o segundo produtor mundial de etanol, depois dos Estados Unidos, e o primeiro exportador em escala global.
A União Europeia (UE) lidera a produção de biodiesel a partir de óleos vegetais.
O gigante sul-americano quer que o etanol deixe de ser considerado um simples produto agrícola e seja incluído em sua lista de bens ambientais, o que permitiria seu acesso livre ao mercado.
"O governo do Brasil se preocupa em eliminar as barreiras técnicas para reforçar o biodiesel e o etanol como 'commodities'. Não é uma oportunidade só para o Brasil, mas para todos", enfatizou Duailibi, que mencionou a ideia de se "negociar o etanol em uma bolsa de futuros".
A padronização internacional da qualidade dos biocombustíveis é outro objetivo do governo brasileiro, acrescentou.
"O Brasil propõe à Europa estabelecer conjuntamente pautas de harmonização dos biocombustíveis para obter um padrão de referência mínimo" para sua comercialização, explicou.
No âmbito do objetivo da UE de que as energias renováveis representem 20% da energia consumida pelos europeus em 2020, está previsto que os biocombustíveis representem 10% do consumo total de combustíveis.
"O Brasil trabalha para enfrentar a realidade da diversidade do mercado. Trabalhamos para estabelecer mecanismos regulatórios. Para que não falte nem uma coisa, nem outra: nem açúcar, nem etanol", resumiu Duailibe.
Datam do início do século passado os primeiros testes feitos no Brasil para promoção do álcool como combustível.
Empresas francesas e britânicas estão presentes no setor no Brasil, que se declara "extremamente aberto à transferência de tecnologia com a França e com outros países interessados nos biocombustíveis", concluiu.
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