9 de mai. de 2010

PCHs: um bom negócio para investidores, construtores e consumidores

O Brasil conta hoje com cerca de 350 PCHs, capazes de produzir 2,8 mil MW, que representam 2,6% da energia que o país é capaz de gerar. Segundo estimativa de especialistas, esse número pode chegar a 8% nas próximas décadas. Superada a crise de 2008/09, os investimentos em Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas (PCHs) voltam a crescer e a atrair os investidores. Há hoje cerca de 70 projetos de PCHs em construção. Do ponto de vista dos investidores, as PCHs representam um negócio promissor. O valor do megawatt/hora fornecido por uma PCH gira em torno de R$ 150,00 – muito superior aos cerca de R$ 80 ou R$ 90 recebidos por uma grande hidrelétrica ao fornecer a mesma quantidade de energia. Para o consumidor, no enta nto, o preço da energia não é alterado. “Por se tratar de uma geração distribuída, a PCH gera controle de tensão, redução de perdas e aumento da confiabilidade do suprimento”, explica Evandro Vasconcelos, diretor de energia da Light. Leia mais.

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De acordo com investidores, um dos principais atrativos desse tipo de empreendimento é o baixo impacto ambiental. Outro ponto positivo apontado é que “na maioria das vezes acaba-se levando progresso para a região onde a usina é construída”, conta Joaquim Monteiro Martins Franco Filho , diretor técnico da JMalucelli Energia. “Num balanço de tudo, acaba-se deixando muito mais benefícios do que prejuízos para a região”.

Geração de oportunidades para indústrias de menor porte é outra característica relevante de uma PCH. A PCH abre portas para que investidores de médio porte participem de um setor de infraestrutura com forte crescimento. “A PCH democratiza a construção para uma faixa muito maior de profissionais e empresas, o que influencia positivamente na geração de empregos”, afirma Joaquim Franco.

Já na parte financeira, os atrativos são outros. Para Evandro Vasconcelos (foto à direita. Crédito: Paula Kossat), os incentivos fiscais são pontos fundamentais para fazer das pequenas e médias centrais hidrelétricas um investimento viável. “As PCHs são fontes de energia incentivadas, o que possibilita a redução de 50% na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), tanto para o consumidor que compra sua energia, quanto para o empreendedor”, explica. “Além disso, a PCH está isenta de pagamento pelo uso da água (Compensação Financeira pelo Uso do Recurso Hídrico). Essas duas isenções são bastante significativas do ponto de vista econômico-financeiro”, completa.

Investidores concordam que a Taxa de Rendimento Interno (TIR) é também um ponto forte do empreendimento. Apesar de o retorno do investimento em uma PCH depender de uma série de fatores, como a geologia, a topografia, as quedas d’água existentes no local e a forma de financiamento, o que se tem percebido no mercado é que a TIR desses empreendimentos está acima de 10% ao ano.

Energia limpa, renovável

A geração hidrelétrica é limpa, renovável. Joaquim Franco (foto à esquerda) acredita que deveriam ser implantadas tantas PCHs quantas forem possíveis. “O Brasil precisa ampliar as fontes de geração de energia. A hidrelétrica é uma forma limpa, que não gera CO₂ nem efeito estufa. E as PCHs, além da geração limpa, ainda trazem todos os outros benefícios”.

Os investidores entram em consenso também quando a discussão trata de temas além dos atrativos das PCHs. O licenciamento ambiental é uma das maiores dificuldades apontadas por eles. Outro obstáculo são os riscos de contingenciamentos que devem ser incluídos no orçamento em função de não se conhecerem muito bem os custos para implantação, lembra Joaquim Franco.

Mesmo com essas dificuldades, os investidores acreditam que as PCHs são uma opção viável para o futuro da energia no Brasil. Estima-se que na próxima década o consumo de energia elétrica no país aumente 5% ao ano. Para suprir essa demanda, novas fontes de energia deverão ser construídas. E o potencial de geração das PCHs é de até 25 GW, sendo explorados apenas 2,8 mil MW atualmente.

Vasconcelos destaca ainda que atualmente a expansão da geração hidrelétrica se dá por fontes cada vez mais distantes dos centros de carga. Para que a energia chegue aos pontos necessários é preciso um investimento muito maior em transmissão, um custo que passa a ter um peso significativo. Sendo assim, as pequenas e médias centrais se destacam, novamente, por estarem situadas próximas aos centros de carga

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